A vez delas

Descubra as características e desafios das mulheres CEOs

Não é novidade que há décadas as mulheres travam uma luta por espaços mais justos na sociedade. Culturalmente a imagem frágil fez com que este grupo fosse considerado incapaz de exercer algumas atividades como participar de eleições, por exemplo. Ainda bem que já é possível enxergar o quanto essa realidade evoluiu e o poder feminino ultrapassou as fronteiras do gênero. Atualmente, podemos encontrá-las atuando em profissões que no passado eram consideradas majoritariamente masculinas.

Esse é o exemplo das mulheres CEOs (Chief Executive Officer) que ocupam a desafiadora posição de presidir grandes empresas. Não pense que foi fácil chegar até lá, este foi um caminho de muito preparo e disciplina. A headhunter Cris Santos, especialista em recrutar executivos e fundadora da BrainFit, afirma que as características femininas fortalecem cada vez mais sua presença nas posições de liderança e que sua inteligência emocional é um diferencial importante na posição de gestora. “Eu acho que a mulher tem a inteligência emocional muito forte. É algo sensível e intuitivo, mas muito intenso. Antes isso poderia ser um ruído, uma fragilidade, mas tornou-se uma força de trabalho incrível”, afirma.

Cris garante que elas também são mais transparentes em um processo seletivo e atribui isso ao fato de se posicionarem melhor em relação as suas opiniões. “O mercado de trabalho está contratando mais mulheres justamente por conta do seu mérito e capacidade de discurso. Os argumentos que elas defendem no processo seletivo passam a imagem de que advogam por um propósito de vida. Isso faz com que ganhem pontos à frente do homem”, reforça.

Apesar disso, a realidade é distante da ideal e o Brasil ainda atua com uma minoria feminina no poder. Segundo a pesquisa International Business Report (IBR) – Women in Business (2017), o índice de mulheres em cargos de CEOs e de diretorias executivas por aqui chegou a 16% no último ano.

O baixo número pode estar atribuído a uma carreira com mais desafios do que os homens. “Não podemos generalizar, mas a mulher tem desafios muito particulares. Ela é mãe, dona de casa, esposa e sua natureza é multifuncional. É intensamente  cobrada  para dar conta do trabalho na mesma intensidade que da vida pessoal. É uma pressão que pode afastar algumas mulheres do trabalho, em qualquer nível de atuação”, relata Cris. Apesar disso ela garante que a mulher entendeu e absorveu essa realidade e é a mais indicada para administrar alguns nichos da economia.

“Por ter uma empatia ímpar ela consegue estabelecer um ambiente mais saudável no trabalho. Nesse sentido, está muito mais preparada para atuar como líder em serviços, atendimento, educação e redes de franquia em geral”, explica.

Mas fica a pergunta, quais são as atribuições e capacidades que a mulher deve ter para chegar ao cargo mais alto de uma organização? A headhunter responde: organização pessoal, gestão do tempo, empatia para tomar decisões mais assertivas, excelente relacionamento interpessoal, maturidade, equilíbrio e o mais importante, autoconhecimento.

“É essencial que ela tenha o autoconhecimento e  entenda do que é capaz. Como lida com suas próprias expectativas? As cobranças? As decisões difíceis? O autoconhecimento é vital para que você equilibre a conta e descubra qual líder gostaria de ser e de ter. Tudo muda, até o clima pessoal e profissional quando a mulher sabe exatamente quem ela é”, afirma Cris.

E para que tudo tenha perfeita harmonia a CEO não pode esquecer de algo valioso que é o cuidado com si mesma. “A felicidade deveria ser considerada uma competência corporativa. Independentemente da sua posição, não se esqueça de você. Pare de se cobrar tanto e equilibre seus pensamentos para sempre obter êxito em suas tarefas”, diz.