A educação
transforma

Diferentes finais
para começos iguais

Com um perfil que pode ser considerado comum no Brasil, Cris começou a trabalhar cedo para ajudar a família e, ao contrário do destino óbvio de muitos que nascem na periferia, nunca desistiu dos estudos. Na dupla jornada escola/trabalho, a filha de mãe semianalfabeta e doméstica, enxergou a educação como alternativa para realizar seus sonhos e apostando todas as suas fichas, correu atrás deles.

Confiante, partiu de Belo Horizonte para São Paulo ao completar o ensino médio na rede pública. Já na capital paulista, trabalhou como telemarketing, usava seu salário para custear o cursinho e, claro, estudou como nunca na vida. O objetivo era bastante ambicioso: entrar em uma faculdade gratuita. E foi à base de muito café e “reza brava”, que enfrentou todas as dificuldades dessa fase, dedicou-se muito e a recompensa de todo seus esforços foi ver seu nome na lista de aprovados do curso de Relações Públicas da USP.

Foi incrível, nesse momento pensei:
minha vida vai mudar completamente”,
comenta emocionada. E de fato, mudou.

Os anos na universidade não foram fáceis. Na maioria das vezes, Cris se sentia um peixe fora d’agua. Em uma turma de jovens classe média alta, ela era a única negra de origem humilde. Mas, apesar do desconforto, fez amigos maravilhosos que a fizeram acreditar que, apesar das diferenças, havia lutado muito e merecia estar ali e, por isso, pertencia àquela universidade.

A formação em relações públicas tinha sido concluída com sucesso, mas acomodação nunca fez parte do seu vocabulário. Depois de formada, ela foi além e buscou novos desafios. Fez pós-graduação, aperfeiçoou o inglês e cursou um mestrado internacional, que a permitiu conhecer muitos países e viver experiências valiosas.

Por anos, Cris fez carreira em empresas de comunicação, mas não era esse o seu propósito. Ela queria que mais pessoas tivessem as vidas transformadas pela educação, assim como aconteceu com ela. E, então, foi atrás do que realmente lhe fazia sentido. Hoje, ela trabalha em uma instituição com foco na melhoria de ensino da rede pública e assim, segue sua trajetória perto do que acredita ser mais importante.

“Quero que mais jovens de favelas e famílias
de baixa renda tenham a oportunidade de
ter acesso à uma educação que possa
transformar a vida deles também”, diz.

E o que a Cris espera do seu propósito? Para ela, chegar à velhice
com a certeza que cumpriu seus objetivos e inspirou outros
estudantes com histórias parecidas com a sua, já será o suficiente
para se sentir realizada e feliz.
“A educação pode transformar o mundo”, conclui.

Alguém tem
dúvida de que
ela vai
conseguir? ;)

Assim como a história que você acabou de conhecer, outras mulheres transformaram suas vidas, ignoraram os “nãos” e encararam todas as mudanças de forma positiva.