Dezembro laranja

Um mês dedicado ao combate e conscientização do câncer de pele

Quando falamos de prevenção ao câncer de pele, ainda surgem muitas dúvidas: Qual protetor devo usar? Quando fazer exames? Devo tirar essa pinta? Por essas e outras, é muito importante ficarmos atentos à doença e dezembro, quando ficamos ainda mais expostos ao sol, é o mês escolhido para falar dela.

Em conversa com o Além da Beleza, a dermatologista Daniela Ribeiro contou tudo que você precisa saber sobre o assunto, confira!

Na sua opinião, o Dezembro Laranja ajuda na conscientização do câncer de pele?

Muito! Toda campanha que visa a prevenção e a conscientização impacta positivamente. O autoexame da pele é tão importante quanto o de mama para a mulher.

A melhor forma de prevenção ainda é a proteção diária?

Além de passar o protetor solar diariamente nas áreas expostas é preciso frequentar o médico dermatologista para exame periódico da pele ao menos 1x ao ano.  Em casos de câncer de pele, o diagnóstico precoce faz muita diferença. Como exemplo o melanoma, se diagnosticado no início, tem chance de cura 100%, já na fase avançada os números caem para 25 – 30%.

A partir de qual idade pode/deve começar a usar protetor solar?

A partir dos 6 meses já devem começar a utilização dos filtros solares infantis.  Associado aos protetores, recomendo o uso de chapéu e do guarda-sol. Além de evitar a exposição prolongada nos horários de pico do sol (entre 10h e 16h).

O fator dos protetores solares realmente importa? Qual a sua recomendação?

Sim. Eles determinam a proteção para os raios UVB que são importantes na origem do câncer de pele. Outros itens devem ser também considerados como: o tipo de filtro solar presente, se tem protetor físico, químico ou ambos, a proteção para os raios UVA e, também, para a luz visível, o infravermelho. Eu recomendo hoje um produto com FPS mínimo de 30 (mas, preferencialmente 50), com proteção UVA e para a luz visível (principalmente para a prevenção das manchas e envelhecimento), que se adapte bem ao tipo de pele do paciente. O ideal é pedir orientação ao médico dermatologista durante a consulta de rotina e obviamente, utilizar o filtro com regularidade.

Qual é a indicação de fator de acordo com a cor da pele?

Essa recomendação não existe, depende de cada paciente.

No dia a dia, como deve ser o uso do protetor solar?

Ele deve ser aplicado em todas as áreas não cobertas pela roupa e reaplicado a cada 2h quando a pessoa mantém a exposição. Para saber a quantidade, utilize a regra da colher de chá:

– 1 colher de chá para o rosto, cabeça e pescoço;

– 1 colher de chá para o braço e antebraço direito (valendo o mesmo para o lado esquerdo);

– 1 colher de chá para o braço e antebraço esquerdo;

– 2 colheres de chá para o tronco (frente e trás);

– 2 colheres de chá para a coxa, pernas e pés direito (o mesmo para o esquerdo).

Na face, colo, pescoço e mãos deve ser repetido mesmo em ambientes fechados. Assim evitamos o envelhecimento e as manchas provocadas pelas lâmpadas e computadores.

E quando estamos mais expostos ao sol?

Nesse caso devemos utilizar o protetor solar de hora em hora, sempre que entrar na piscina, no mar ou suar demais. Mesmo em dias nublados!

Quem é mais propenso a ter câncer de pele?

As pessoas com pele branca,  com olhos claros e com cabelos loiros ou ruivos,  que nunca bronzeiam e se expuseram ou expõem muito ao sol como: trabalhadores rurais, esportistas, guardas de trânsito e funcionários de companhias aéreas. Também pacientes que já tiveram queimaduras solares, principalmente na infância, que se submeteram à câmaras de bronzeamento ou tratamentos dermatológicos em cabine, radioterapia, áreas de queimaduras na pele, albinos, pessoas com vitiligo, com histórico de câncer de pele na família e principalmente quem tem múltiplas “pintas” ou “sinais” no corpo (acima de 80).

Para que as pessoas fiquem atentas, quais são os principais sintomas? Quando elas devem ficar preocupadas e procurar seu médico especialista?

Qualquer lesão de pele, única, que aparece e não regride nunca, podendo ser na forma de um nódulo, uma espinha, uma bolinha, uma mancha avermelhada ou escura ou até uma ferida e uma “casquinha”. Por exemplo, uma ferida ou uma espinha precisam sumir em até 15 dias. Se a pessoa não arrancar a casca, não mexer na lesão e ela não cicatrizar há a necessidade de procurar um médico dermatologista para examinar e fazer a dermatoscopia (exame feito no consultório do dermatologista com um pequeno aparelho que mostra detalhes da lesão).

Outro importante sinal é uma mancha escura e assimétrica. Além disso, “pintas” que mudem repentinamente ou que causem dor, ardência e sangramento.

Em quais partes do corpo é mais comum o aparecimento do melanona?

Nos homens, no dorso. No caso das mulheres, nas pernas. Geralmente são lesões novas, porém podem se originar em um sinal já existente. Nesse caso, somente com o exame de dermatoscopia o médico especialista poderá ver sinais que indiquem essa possibilidade e recomendar a retirada da lesão com fins preventivos ou até para o tratamento mesmo.

Gostou das dicas? Leia também O protetor ideal.