Sem radicalismo!

Faça mais por você através da alimentação

Não importa em qual fase da vida você está, cuidar da saúde é essencial e os hábitos saudáveis não se referem apenas aos exercícios físicos, mas também à alimentação. Como tudo, nenhum extremo faz bem para o seu corpo, assim como comer só fast food não te ajudará a ter uma qualidade de vida melhor, restringir-se de tudo o que acha gostoso porque “engorda” também não.

A nutricionista Fabiana Galvão segue a linha da nutrição comportamental e incentiva o fim da dicotomia dos alimentos, ou seja, sem dividi-los entre os que são bons ou ruins, os que engordam e os que emagrecem, o que é pesado e o que é leve, porque “nenhum alimento sozinho é capaz de melhorar ou piorar sua saúde”. Segundo ela, o segredo é melhorar sua relação com a comida, assim você pode comer de tudo, sem culpa e com equilíbrio.

No começo, entender isso pode não ser fácil. A digital influencer e arquiteta Mariana Andrade, 29, começou a se preocupar e mudar os hábitos alimentares há alguns anos, mas apenas recentemente entendeu a chave de tudo: o autoconhecimento. “Estava frustrada porque não conseguia emagrecer. Foram muitos anos tentando sem sucesso”. Nesta época, ela já era saudável, mas como comer grelhado e legumes não estava adiantando, decidiu radicalizar e cortar tudo o que gostava, mas que achava que engordava: doces, farinha, lactose, álcool.

No entanto, alimentação saudável não é sinônimo de comida verde. A nutricionista explica que “seria comer ‘normal’, se reconectando com as necessidades do seu corpo”. Chega de comer até “não aguentar mais” ou parar antes de se sentir satisfeito, é preciso respeitar a sua fome, saciedade e por que não, sua vontade?

Antes de conhecer as próprias necessidades e vontades, Mariana ficou neurótica com a comida, se isolou em casa, ficou muito magra, passou por distúrbios alimentares, o que a levou a ter compulsão alimentar e até depressão, então decidiu mudar. Hoje, ela está encontrando o próprio equilíbrio e reintroduziu alimentos que gosta, como chocolate e vinho. “Agora sim considero uma reeducação alimentar.”

O primeiro passo é você mudar o seu comportamento em relação não só ao que come e o quanto, mas como, onde e por quê… Fabiana pontua que essa análise pode nos levar à descoberta de que “um comportamento repetido muitas vezes vira um hábito”. Para isso, você não precisa deixar de comer os salgados e doces que gosta. Quanto mais restringir determinado alimento, mais pensará sobre ele, podendo perder o controle ao consumir, o que só leva a culpa e frustração.

A chave, segundo Mariana, é a quantidade, “você pode comer um pouquinho de tudo”, explica. Com ajuda de profissionais, ela começou a entender o que realmente gosta e não pode tirar da dieta e o que não faz falta e pode tirar. Ela aconselha a se autoconhecer antes de entrar em qualquer dieta porque “a alimentação é um reflexo do nosso interior”, complementa.

Por isso, o foco deve ser na saúde e não na perda ou no ganho de peso. Aprender a se gostar não significa se aceitar do jeito que está se não se sente feliz, como aconselha Mariana. “Não temos que aceitar uma versão pior do que podemos ser. Temos que aprender como conquistar a nossa melhor versão, mas sendo amigas de nós mesmas e do nosso corpo”, conclui.