Profissão:
marceneira

Os desafios de mudar de área
e escolher uma atividade
inusitada entre as mulheres

É natural que paixões e habilidades sejam critérios na hora de decidir sobre qual profissão seguir e com a Fernanda não foi diferente. Por gostar de idiomas, de receber e servir pessoas, começou a pesquisar sobre a profissão ideal e com dezessete anos optou pela Hotelaria.

Por muito tempo sentia que tinha tomado a decisão certa e que a hospitalidade era a sua verdadeira vocação. Em busca de se aperfeiçoar, foi para a Europa e Estados Unidos. Aprendeu novas línguas, fez pós-graduação, trabalhou na Disney e descobriu que sua grande motivação era encantar o cliente e não medir esforços para fazê-lo feliz.

De volta ao Brasil, as dificuldades de seguir carreira dentro de um hotel pesaram e Fernanda correu atrás de uma nova posição na sua área, que atendesse às suas expectativas. Trabalhou em uma empresa de treinamentos, depois partiu para a área de vendas em uma multinacional, onde tudo que aprendeu, somado a sua facilidade de comunicação, fez com que se destacasse nas novas funções. Mesmo assim, não sentia que o mundo corporativo era o seu.

“Terninho e salto alto não fazia
parte de mim. Eu não estava
completamente feliz”, constatou.

Insatisfeita, o desejo de ter seu próprio negócio surgiu forte e ao conversar com Letícia, na época sua colega de trabalho, viu que não estava sozinha e decidiram unir forças. Enquanto pensavam sobre onde investir, Letícia, que sempre desenhou bem, fez um curso de design de móveis e, empolgada, queria tirá-los do papel. Fernanda tinha um passatempo que casava com a habilidade da amiga. “Eu gostava de reformar móveis, mudar o tecido, a cor… Todo mundo elogiava esse meu talento e a Lê me fez enxergar como uma possibilidade de negócio. Ou seja, encontramos um ponto em comum!!!”, contou.

Uma era construção, a outra, acabamento. Nessa equação surgiu uma ideia inusitada, abrir uma MARCENARIA. Mas, como assim? Fernanda também se assustou ao receber a proposta. “Eu não sabia que era capaz, achava que não combinava comigo, que não era profissão de mulher”, confessou enquanto lutava contra os próprios preconceitos e se acostumava com novidade.

Ao estudar o mercado, enxergaram um nicho a ser explorado, pessoas que poderiam criar móveis a partir de referências da internet e adaptar ao gosto e espaço do cliente. Em 2014, tomaram coragem de largar os empregos para se dedicar exclusivamente ao novo projeto.

Além de um plano de negócios e dos desafios que todo empreendedor enfrenta, Fernanda ainda teve que gerenciar a opinião da família e a entrada em um segmento majoritariamente masculino. Enquanto o namorado estava empolgadíssimo, a mãe questionava desde a segurança à super qualificação da filha para tal profissão.

Já com as mãos na massa,
a rotina inclui enfrentar
o preconceito, o assédio
e o machismo.

Algumas vezes, ela conta que precisa provar, até para seus fornecedores, que realmente entende sobre o que está fazendo. Obstáculos que, segundo Fernanda, são muito maiores do que o desafio de empreender.

Hoje, a ex-hoteleira se sente mais segura, bonita e feliz. No comando da Lumberjills, junto com sua sócia, encoraja e abre espaço para que outras mulheres comecem a enxergar a marcenaria como profissão, uma vez que a representatividade feminina na área ainda é muito pequena.

Com essa transformação,
Fernanda deixa a mensagem
que apesar da luta diária,
você deve acreditar que pode
ser o que quiser.

Assim como a história que você acabou de conhecer, outras mulheres transformaram suas vidas, ignoraram os “nãos” e encararam todas as mudanças de forma positiva.