Marcas de
uma Guerreira

Marcas de uma Guerreira

“Quando a vontade de viver
vence qualquer obstáculo.”

Sempre muito vaidosa, ao descobrir um câncer de mama, Francesca não se deixou abater e decidiu encarar cada momento do tratamento como mais uma razão de viver. Às vésperas de uma nova cirurgia de reconstrução de mama, conversou com o Além da Beleza esbanjando sorrisos e alto astral. Enquanto o maquiador fazia leves retoques (ela já é naturalmente linda!), contou sobre sua autoestima, experiências, adaptação com o cabelo, que está crescendo após a quimioterapia, e seu entusiasmo com o OUTUBRO ROSA, mês em que mulheres do mundo todo se movimentam para discutir a doença com o intuito de conscientização e prevenção.

A descoberta

Confesso que não costumava fazer o autoexame frequentemente, mas um belo dia fui surpreendida pela dor na mama e corri para o mastologista, que me diagnosticou com Mastite. Apesar do tratamento intenso e dolorido, não me abalei. O segundo diagnóstico chegou há um ano: fiz uma série de exames e recebi a notícia que estava com câncer de mama.

Fiquei com medo do desconhecido mas, mesmo assim, resolvi encarar
como uma segunda chance de viver.
Com tantas pessoas como exemplo de
cura, por que comigo seria diferente?

Tratamento x Autoestima

Após a primeira quimioterapia, o médico me avisou que meu cabelo começaria a cair em quinze dias. Comprei uma peruca, mas não me adaptei e comecei a cortar o cabelo aos poucos, com a intenção de minimizar o choque de ficar careca. Estava na praia quando percebi que meu cabelo estava caindo de forma agressiva e, junto com a minha família, decidi raspar. Fui forte, apesar do desconforto, e assumi a nova aparência sem deixar de me achar bonita. Na cirurgia para retirar o nódulo, fiz a reconstrução das mamas imediatamente e confesso: a prótese ajudou muito para a minha autoestima continuar lá em cima. Sem o silicone, provavelmente, ficaria muito mal. Desde então, sigo tudo que acredito que possa prolongar minha vida, acredito que as cicatrizes que ganhei são marcas de uma guerreira, me orgulho delas. Em breve, quando me recuperar dessa nova reconstrução, quero tatuar a auréola.

Laços de amizade

Durante o tratamento, no hospital, eu chamava a atenção de outras pacientes, me tornei inspiração pelo meu comportamento e pela vaidade.

Nunca abandonei a
maquiagem e o salto alto

Conclusão? Fui convidada para ajudar essas mulheres a enfrentarem a doença de forma positiva e adorei a ideia. Criei o projeto Laços de Amizade, que mobiliza pacientes, parceiros e quem se sensibiliza por meio de uma página no Facebook, com o objetivo de arrecadar lenços e maquiagens para minhas novas amigas. Desde a primeira ação até hoje, o programa é um sucesso e me orgulho muito de ser uma referência para essas mulheres.

Outubro Rosa

Este mês é especial. Acredito que precisamos conscientizar e conversar sobre o câncer de mama sempre, mas durante o Outubro Rosa, mulheres do mundo todo se encontram para essa troca de experiências. No ano passado, em um parque da minha cidade, reunimos mais de 2 mil pessoas, e para essa edição a expectativa é realizar um evento maior e mais bonito. Também desenvolvo atividades em apoio ao movimento no hospital em que faço tratamento, levo os kits de beleza que arrecado, converso com as pacientes e ensino amarrações de lenços diferentes, como nos vídeos que posto em minhas redes sociais. Todo esse trabalho é intenso e muito gratificante.

Novos sonhos
e projetos

Tenho uma filha para criar e ela sonha junto comigo, isso me faz seguir tranquila e otimista. Quero captar recursos e parceiros para continuar crescendo com o Laços de Amizade. Sonho em poder levar o projeto para uma casa perto do hospital, um espaço com uma hortinha orgânica, pensando sempre em melhorar a qualidade de vida de cada mulher que luta contra o câncer. Hoje, agradeço por ter me transformado em uma nova pessoa e tenho a certeza que a minha vontade de viver é maior do que qualquer obstáculo.

Assim como a história que você acabou de conhecer, outras mulheres transformaram suas vidas, ignoraram os “nãos” e encararam todas as mudanças de forma positiva.