Já pensou em tirar um ano sabático?

A história de mulheres que viveram esse período

Já pensou em escolher um país que sempre quis visitar, um curso de línguas, de mergulho ou qualquer outro, pedir as contas e ficar um ano testando coisas novas, descobrindo outras culturas e conhecendo gente do mundo todo? O ano sabático pode parecer um sonho muito distante para algumas pessoas, mas para outras, basta a determinação para recomeçar uma vida totalmente nova e viver nela por 365 dias.

Não é fácil largar tudo para trás, mas a possibilidade de se autoconhecer, colocar as vontades e os sonhos na frente e se arriscar numa grande aventura pode recompensar todo o receio. Foi o caso da Letícia Suzuki, 41, diretora de atendimento, que estava buscando por algo que a ajudasse a crescer tanto pessoal quanto profissionalmente e viu a oportunidade nessa experiência. “Precisava realmente me desconectar de tudo, não ia adiantar viajar e ficar pensando nas coisas e pessoas do Brasil”. Para ela, o difícil foi deixar a carreira bem consolidada para trás, mas sentia que faltava uma experiência internacional no currículo.

Ao contrário da Letícia, que foi sozinha, Maithê Seglio Garlipp, 38, profissional de marketing, embarcou na aventura com o marido e o filho de quatro anos. O casal já tinha planos para ter uma experiência internacional mesmo com a estabilidade no trabalho. A perda do pai dela em 2014 foi o grande catalisador para que eles seguissem com a ideia. “Acho que se não tivesse passado por isso, não teria tomado a decisão.”

Maithê e o marido queriam dar uma sacudida na vida, mas com objetivos que considerassem toda a família. “Não queríamos pegar as nossas economias e sair por aí turistando, com um filho a responsabilidade é grande”. O marido decidiu que faria MBA, traçaram os planos a partir disso e partiram para a França. “Mesmo não tendo todas as respostas, nem todas as finanças superequilibradas para bancar tudo”, conta.

O planejamento não foi fácil para nenhuma das duas. Letícia passou dois anos decidindo para onde iria e juntando o dinheiro necessário. “Eu queria ir para um lugar bem diferente de São Paulo”, optou por ficar oito meses em Vancouver, no Canadá, e completar os quatro meses restantes nos EUA. Seis meses antes da viagem, ela entregou o apartamento e se livrou de todos os custos fixos. Maithê vendeu tudo e tirou todo o dinheiro que havia guardado durante anos.

Chegando em Vancouver, Letícia fez um curso focado em negócios, aproveitou a oportunidade de trabalhar em uma agência e tirou o tempo para repensar a vida. “Conheci todos os lugares que queria com muita calma, foi um período de introspecção”, explica. Segundo ela, a ideia do ano sabático é sair da zona de conforto e se arriscar, conhecer, testar.

Como o ano sabático tem tudo a ver também com autoconhecimento, Maithê conta que buscava a cura emocional por conta da morte do pai e o equilíbrio como mãe, esposa, profissional e mulher. “Esse ano me trouxe algumas repostas que buscava e experiências que nem imaginava que pudesse viver, de uma forma muito positiva e enriquecedora.”

Hoje, Letícia divide a sua vida entre antes e depois do período fora. “Voltei muito mais resiliente, com mais perspectiva, mais flexível. Voltei com uma visão diferente do  mundo, com vontade de me arriscar”. Ela conseguiu emprego apenas três meses após a volta ao Brasil, com recomendação da ex-chefe. Já Maithê, continua seu período sabático, que trouxe o segundo filho, mas agora em Nova York, onde o marido recebeu uma proposta de trabalho da mesma empresa que trabalhava no Brasil.

Hoje, ela valoriza a família, as pessoas, o tempo e a companhia dela mesma. “Aprender que menos é mais, me despertou tantas coisas positivas e de autoconhecimento porque criei o espaço para que isso acontecesse”. Quando você coloca um valor no papel, pode parecer que não vale o esforço, mas a dica da Maithê é ter um objetivo que seja o mais claro possível. “Vão existir momentos bons e ruins, mas se você está firme no seu propósito, nada vai te abalar.”