Mãe que inspira

Um papo leve sobre a vida após a maternidade

Na correria, muitas vezes é comum deixar de lado a leveza diária e o fazer mais por você, seja uma academia, um batom, uma comidinha ou, até mesmo, aquele projeto pessoal guardado na gaveta por falta de tempo. E quando chegam os filhos? Parece impossível, né?! Para falar mais sobre o assunto, o Além da Beleza bateu um papo com a Lua Fonseca, educadora parental e mãe de quatro.

Como é a sua rotina com quatro filhos?

A rotina com quatro crianças é uma loucura, mas sinto que à medida em que eles vão crescendo, as coisas têm entrado nos eixos. Hoje, os três mais velhos já estão na escola pela manhã e o bebê fica em casa. Tenho uma pessoa que me ajuda e chega às 10, antes disso, vamos à praça, brincamos e só depois saio para trabalhar. Durante a tarde, geralmente tem um dia que tiro para ficar com eles, brincar, andar de bicicleta…

Você administra o seu tempo para sobrar algum para você? Em algum momento se culpou por isso?

Troquei culpa por responsabilidade, mas não foi sempre assim. No começo, eu achava, de alguma forma, errado não estar com meus filhos para estar comigo. Com o tempo vamos tomando consciência da importância da gente se colocar nessa equação com os filhos.

Depois do nascimento da sua terceira filha, você fez um post contando que estava se dando o direito de ficar um tempo longe da academia, mas que o rímel e o batom eram sagrados. Cuidar da beleza também é importante para você? Como é essa relação hoje em dia?

Eu tenho quase 40 anos e me cuidar tem se tornado um prazer e não uma paranóia. Adoro maquiagem e estou sempre de rímel. Recentemente descobri os cremes para rosto e estou gostando de cuidar da pele. Precisa ser prazeroso. Não quero me sentir escrava de nada.

Em outra postagem mais recente, você fala da importância de ir até o final nos objetivos apesar dos contratempos da vida. Que em geral, as pessoas deixam projetos na gaveta por falta de tempo. Mesmo quando alcança seus objetivos, você sempre acredita que pode mais?

Quando alcanço meus objetivos eu traço novos. Curto cada conquista. Não vivo correndo atrás do que pode ser, do que tem na frente. Acho que isso causa uma ansiedade enorme nas pessoas, que deixam de aproveitar a vida e os presentes diários que ela nos dá.

Você sempre pensou dessa forma ou em algum momento a chavinha mudou?

Ter quatro filhos foi muito transformador. Cada um me trouxe uma mudança e uma oportunidade de me olhar, me conhecer mais. Sem isso, não conseguiria ter uma vida leve. É muito fácil viver sob estresse e pressão e acho que isso adoece. Aprendi a ser muito grata por tudo e sei que isso parece papo de autoajuda, mas é que agradecer faz com que a gente sempre busque uma perspectiva positiva das coisas que nos acontece. Todos nós passamos por tragédias, em menor ou maior escala, e o que muda é como a gente reage ao que nos acontece.

Quais suas dicas para as mulheres que enfrentam as mesmas batalhas e deixam seus cuidados com a beleza, vida pessoal e profissional de lado?

Acho que esse se deixar de lado pode fazer parte do processo, da jornada. Mas descobrir prazer e alegria genuína em coisas simples pode ser o começo de uma mudança que nos dê força para reconquistar nosso lugar profissional, nossa vida pessoal. Acho que os cuidados com a beleza são muito relativos. Para ter uma relação tranquila com o espelho, cada uma precisa descobrir o que de fato traz paz.

Você acha que hoje em dia, muitas mulheres ainda se anulam após a maternidade?

Acho que nos perdemos nos hormônios da maternidade e somos muito pressionadas a manter a vida de antes. Isso faz com que as mulheres resistam e não se entreguem à maternidade, aceitando as dificuldades e privações desse período. Quando lutamos contra isso, sofremos. Acredito que quando embarcamos na maternidade, sem deixar o fio da meada romper, vivemos o mergulho e depois voltamos à superfície aos poucos. Mas é preciso mergulhar. E tá tudo bem.

Você acredita que inspira e empodera outras mulheres?

Nada é capaz de empoderar uma outra mulher, a não ser ela mesma. Posso inspirar e espero que todas as mulheres que me seguem, sintam-se encorajadas e convidadas a vir juntas comigo no meu processo que é contínuo e totalmente passível de erros.

Como surgiu a ideia de se tornar educadora parental?

Surgiu da minha necessidade pessoal de rever a minha relação com meus filhos. Me vi deixando de gostar do meu papel como mãe e fui em busca de como melhorar. Foi assim que conheci a disciplina positiva, me formei pela Positive Discipline Association, depois fui para Portugal fazer uma pós em Parentalidade e Educação positiva e hoje faço workshops em diversas cidades e atendo famílias por Skype e em Brasília, onde moro.

Quais são seus próximos projetos?

Vou fazer faculdade de psicologia, quero escrever um livro ano que vem e levar meu workshop para mais lugares!

Haja fôlego! O que mais você pode fazer por você?