Mães que “encontraram” seus filhos

Cerca de oito mil crianças aguardam ser adotadas no Brasil

Muita gente ainda usa os termos “mãe adotiva” ou “mãe do coração”, mas a fonoaudióloga Angela Muniz e a palestrante inspiracional Silvana Zugaib, não pensam assim. Ambas adotaram crianças, passaram por todo o processo, decidiram em família, se candidataram, entregaram documentos, passaram por análise psicológica, entraram na fila e esperaram, ansiosamente, pelo dia do encontro ou “reencontro” com seus filhos.

Angela e o marido sempre tiveram claro o desejo de terem filhos biológicos e também adotarem uma criança. O tempo passou, veio o casamento, a gestação, o nascimento do Breno e o momento de entrarem na fila de adoção. Um ano e 11 meses depois, eles “reencontraram” (como a mãe descreve) Felipe. Um bebezinho recém-nascido que ainda no orfanato, foi acolhido pelo irmão mais velho, com cinco anos: “Vamos Fê! Vamos para você conhecer a nossa casinha, o seu quarto. Ninguém mais vai sentir o seu cheirinho, só eu e quem é da nossa família”.

Com Silvana, a história foi um pouco diferente, ela se casou aos 33 anos, o casal não pensava em filhos e quando decidiram ter, algumas complicações a impossibilitaram de engravidar. Após alguns anos, decidiram partir para a adoção. Com isso resolvido, sua maior preocupação era explicar o fato da criança não ter saído da sua barriga e, claro, como essa informação seria recebida.

O processo até a chegada da Maria Vitória durou três anos, mas seus pais nunca pensaram em desistir. Sobre a preocupação de antes da chegada da filha, Silvana conta que desde que a pequena completou um aninho dizia: “Você é uma estrelinha que nasceu do coração da mamãe. Falo com naturalidade, não uso a palavra ‘adotada’. Ela é minha filha, a única diferença é que chegou pela adoção”.

Tanto Ângela quanto Silvana contam que suas famílias receberam muito bem a notícia da chegada das crianças e que não há distinção no tratamento dado aos netos e aos sobrinhos, por exemplo. Ambas relatam que ouviram muitas pessoas com histórias não tão positivas. Mas nada disso as abalou. Silvana e seu marido têm, inclusive, outros casos de adoção entre seus parentes.

É de emocionar saber o que a fonoaudióloga e a palestrante têm a dizer sobre o momento em que receberam a notícia da chegada de Felipe e Maria Vitória. As duas estavam sozinhas quando o telefone tocou. Ângela contou que, a partir do momento em que a assistente social avisou sobre o bebê, ela já não se lembra de mais nada do que foi dito. Só fez ligar para o marido chorando tamanha felicidade, que foi contagiado pela alegria. “Eu não sabia o que fazer, chorava de alegria e ria ao mesmo tempo. Me ajoelhei e agradeci a Deus por ser tão bom conosco”.

Já Silvana recebeu a notícia durante um treinamento para um cliente no Vale do Paraíba: “nossa, fiquei sem chão e sem voz, quando o telefone tocou e era a assistente entrando em contato porque havia chegado uma criança e o juiz solicitou que nos chamassem. Nem sei como consegui seguir com o curso naquele dia”.

Se está nos seus planos adotar um filho, as duas mamães dão algumas dicas:

  • Buscar a adoção legal, porque muitas vezes, na angústia da espera, algumas pessoas optam por meios ilícitos e não fazem ideia dos sérios problemas que isso pode acarretar tanto para a criança quanto para os pais
  • Entrar na fila o quanto antes, porque a caminhada pode ser longa
  • Se o seu coração já pensou nesse assunto, é porque seu filho está a sua espera, só aguardando o momento do “reencontro”
  • Não desista, seu filho nascerá na sua casa na hora certa

Para saber mais sobre como é o processo de adoção no Brasil, o Além da Beleza indica o acesso ao site do Conselho Nacional de Justiça – CNJ. Lá é possível encontrar todas as informações. Os dados do CNJ, de dezembro de 2017, indicavam que mais de oito mil crianças esperavam ser adotadas naquela data. Surpreendentemente, o número de crianças e adolescentes aguardando é menor do que o de pretendentes cadastrados.