Maternidade não, obrigada!

Uma decisão que ainda dá muito o que falar

As mulheres podem e devem fazer muitas escolhas na vida, a maternidade é uma delas. Decidir não ser mãe está longe de ser uma bandeira contra as pessoas de opinião contrária, não é ser egoísta, não é ser incompleta, é apenas um caminho diferente do que a sociedade considera “natural”.

Ao verbalizar a decisão de não ter, é comum se deparar com olhares de espantos. No best-seller Sem Filhos – 40 Razões para Você não Ter, da psicanalista suíça Corinne Maier, a mensagem da orelha do livro adianta essa questão: “A recusa em ter filhos não é apenas um tabu, mas uma atitude suspeita”.

Mas você já parou para pensar que nem sempre as expectativas e os sonhos dos outros são os mesmos que os seus?

Cansada de ser alvo de especulações, a  atriz Jennifer Aniston escreveu um artigo dizendo: “Eu não estou grávida. Estou farta”, questionando a objetificação das mulheres e a forma com que são retratadas na mídia. “Somos completas com ou sem um companheiro, com ou sem filhos”, escreveu. Outras atrizes como Renée Zellweger, Leona Cavalli e Patricia Pillar, já declararam que não sentem a necessidade de ter um filho e estão muito bem resolvidas com isso.

Batemos um papo sobre o assunto com a  a apresentadora Jessica Leão, uma dessas mulheres que dizem não para a maternidade e não consideram pecado nenhum:

Desde quando você tem consciência de que não quer ser mãe?

Desde o meu primeiro namoro. Sou extremamente clássica, queria um casamento, um relacionamento formal e sólido… mas filhos nunca fizeram parte dos meus planos.

É comum um julgamento ao exteriorizar que não possui esse desejo, né? Quais as perguntas que você mais ouve?

Sim, o julgamento faz parte. As pessoas não entendem o fato de uma mulher não nascer com o desejo de ser mãe, se tornam agressivas, como se eu estivesse fazendo algo errado. Alguns consideram um tipo de “aberração”. Outros acham que isso vai mudar, que com o tempo e a maturidade a vontade aflora. Já ouvi coisas como: você vai se arrepender! Quem vai cuidar de você quando estiver velha? Não ter filhos é ser egoísta; você se preocupa só com seu próprio umbigo!

E quais são suas respostas diante disso? Você se importa com esse julgamento?

O meu posicionamento sempre foi muito firme: não quero filhos! O corpo é meu, a vida atribulada é minha, não tenho espaço para uma criança que dependerá integralmente de mim.  Mas confesso que no passado já inventei uma endometriose como justificativa.

Quais realizações você acredita que fazem de você uma mulher realizada?

Sempre tive muito orgulho de ser mulher, de lutar realmente pelo que quero. Nunca aceitei não fazer “coisas de homem” e sempre me esforcei para ser cada vez melhor. Comecei a trabalhar com 18 anos e não parei desde então. Sou realizada por trabalhar com o que me completa, por ter conquistado meu espaço e meus bens materiais. Tenho pequenos luxos como: viajar quando quero, dormir até tarde e não me preocupar com a agenda em dias de folga. Sou uma esposa dedicada, filha cuidadosa, dinda e tia que se preocupa com o crescimento e educação dos meus sobrinhos.

Como deixar claro que você não é contra a maternidade e apenas não optou por isso?

Não sou contra a maternidade, na verdade bato palmas para as mulheres que são REALMENTE mães! Tarefa quase impossível nos dias de hoje: trabalhar, cuidar da família, da escola, das contas, pensar no futuro… Acho que são guerreiras e merecem minha admiração, apenas não é para mim.

Seu marido compartilha a mesma opinião que você?

Sim, ele também não quer filhos e desde o início do relacionamento isso foi mais que um ponto positivo, foi determinante para estarmos juntos. Sempre deixei clara a minha posição de não ter vontade, nem necessidade. Tive a sorte de encontrar alguém que pensa da mesma maneira.

Qual o seu recado para as mulheres que também decidiram não ser mães, mas que se sentem oprimidas/pressionadas pelos amigos, família e sociedade?

Em hipótese alguma, em qualquer área da sua vida, se anule para agradar os outros. Tenha consciência de quem você é, dos seus gostos, vontades e planos. Seja firme, sem perder sua doçura. Pontue seus pensamentos com orgulho e não como alguém que justifica um erro. Não temos que dar desculpas ou nos sentirmos inferiorizadas por não queremos filhos. Não há nada de errado nisso! Errado é não aceitar o outro como ele é, e querer que todos usem os mesmos moldes.

A Jéssica é muito Além da Beleza e está sempre em busca de fazer mais por ela mesma. Se inspire na história dela e reflita: o que mais você pode fazer por você?