Entenda a endometriose

A doença atinge cerca de 10% das mulheres em idade fértil

Se  você sofre de cólica menstrual, incômodo na relação sexual, alterações intestinais, fortes dores pélvicas ou abdominais durante a época da menstruação ou a mistura desses sintomas, fique atenta. Você pode ter endometriose. Essa enfermidade é caracterizada pela presença de endométrio (tecido que reveste a parte interna do útero) em outros locais, fora da cavidade uterina.

De acordo com a ginecologista Dra. Carolina Corsini, os focos mais comuns da doença são os ovários, o peritôneo (tecido que reveste os órgãos), a bexiga, as trompas, os ligamentos do útero e o septo reto-vaginal (entre a vagina e o reto). A endometriose não é transmissível e afeta aproximadamente 10% das mulheres em idade fértil, principalmente a partir de 30 anos.

Existem diversas teorias que explicam a causa da enfermidade. “A mais comum sugere que as células descamadas do endométrio durante a menstruação podem ser enviadas à cavidade abdominal pelas trompas e se implantar em outros órgãos, como ovário e superfície do útero”, explica a ginecologista. Segundo ela, outras sustentam que há uma transformação das células de outros órgãos em tecido endometrial, o que seria influenciado por fatores genéticos e hormonais.

Outra má notícia é que uma das possíveis consequências da endometriose é a infertilidade pois, de acordo com a Dra. Carolina, a doença pode promover aderências e cicatrizes nos órgãos afetados, levando à dificuldade de fecundação e de implantação do embrião no útero, além de aumentar as chances do aborto.

O diagnóstico é feito a partir do histórico clínico da mulher e de exames investigativos. Segundo a ginecologista, o mais importante é o ultrassom transvaginal, que deve ser realizado com preparo intestinal e por profissionais especializados, já que não é fácil detectar essa enfermidade. “A ressonância magnética de pelve também é bastante útil. Podem ser solicitados outros exames, como o CA-125 (teste de sangue), que auxiliam também no controle da doença, mas que têm sua importância questionada, já que não são específicos para a endometriose”, explica a Dra. Carolina. Mas, para se obter um resultado totalmente confiável, somente por meio da biópsia de uma lesão suspeita.

Existem diversos tipos de tratamentos e a escolha da melhor forma terapêutica depende dos sintomas da mulher, do grau de agressão e do desejo de uma futura gestação. A ginecologista explica que podem ser administrados por anticoncepcionais (orais, injetáveis, adesivos ou anel vaginal) ou colocação de DIU liberador de hormônio. Já a cirurgia é feita geralmente por meio da laparoscopia (operação no abdômen realizada através de câmera e manipuladores introduzidos por pequenos orifícios) e visa diminuir os focos de endometriose, limitar a progressão da doença e restaurar a fertilidade.

Seu corpo já apresentou algum dos sintomas? Então procure seu ginecologista e faça os exames de rotina. Dessa forma, você estará cuidando de seu bem-estar e garantindo sua saúde.