Os perigos do HPV

Saiba como se prevenir da doença que causa diversos problemas à saúde

O HPV (Vírus do Papiloma Humano) é uma doença muito mais comum do que imaginamos. Atinge cerca de 25% da população brasileira e, muitas vezes, não apresenta nenhum sintoma ou sinal aparente do vírus. É aí que está o perigo!

Altamente contagioso, o HPV pode ser adquirido em apenas uma relação sexual. Ele afeta tanto as mulheres quanto os homens. Pode causar o aparecimento de verrugas genitais conhecidas como condiloma acuminado. De acordo com o ginecologista Décio Teshima, essas lesões podem surgir na mulher, na região da vulva, e no homem, na região do pênis. Além das verrugas genitais, o HPV é o principal responsável pelo câncer de colo uterino. “Entre 3% e 10% das mulheres infectadas por HPV podem desenvolver câncer de colo do útero se não forem acompanhadas de forma adequada”, orienta o ginecologista.

Os mais de 100 tipos existentes de HPV são divididos em baixo e alto risco para o desenvolvimento de câncer. Os principais tipos de HPV associados a lesões pré- cancerígenas são os 16, 18, 31, 33, 45, 58. Os tipos 6 e 11 são os mais comuns, encontrados nas verrugas genitais e praticamente não oferecem nenhum risco de progressão para o câncer.

Para as grávidas, a presença do HPV não causa nenhum tipo de má formação ao feto e a escolha do parto, normal ou cesárea, dependerá da extensão das lesões genitais.

Além de problemas ginecológicos…
As complicações ginecológicas não são as únicas características do HPV. Ele também está associado, em menor quantidade, a problemas de tumores em boca e garganta. Teshima explica os motivos: “a patologia é transmitida por contato de secreções infectadas pelo vírus. Os locais mais comuns de acometimento são vagina, vulva, pênis, ânus e colo do útero. Outros locais que podem ser acometidos são a laringe, o esôfago, a boca e a garganta, já que são regiões do organismo revestidas por uma camada de mucosa onde o vírus do HPV pode penetrar e se alojar com maior facilidade. As lesões são semelhantes às verrugas”, explica o ginecologista.

Diagnóstico e tratamento
A doença é diagnosticada pela visualização direta das verrugas, encontradas mais frequentemente na região da vulva, do pênis e ânus. Quando o HPV não apresenta lesões visíveis, o diagnóstico é feito por meio do exame citológico de papanicolau e da colposcopia, com biópsia dirigida. O vírus também pode ser confirmado com os exames de diagnóstico molecular, como a captura híbrida e o PCR.

O objetivo principal do tratamento do HPV não é a erradicação do vírus, mas, sim a destruição da lesão provocada por ele, já que ainda não existem medicações ou métodos que possam causar a cura completa do vírus no organismo humano. “Quando existe a presença de verrugas genitais, o tratamento pode ser realizado com a cauterização química, cirurgia ou com o uso de imunomoduladores”, recomenda Teshima. Ele diz que a simples presença do vírus, sem ocasionar lesão alguma, não necessita de tratamento, apenas acompanhamento médico.

Prevenção
A forma mais eficiente de prevenção do HPV é o uso do preservativo do início ao fim da relação sexual. Além da camisinha, as vacinas quadrivalente e bivalente, indicadas para a faixa etária de 9 a 26 anos, também auxiliam na prevenção do HPV. Quadrivalente protege contra o HPV tipos 6, 11, 16 e 18 e a bivalente contra 16 e 18. São três doses da vacina administradas de forma intramuscular”, diz o médico.