Todo o poder às mulheres

Domitila Barros estimula independência e autoestima feminina na comunidade Linha do Tiro, zona norte de Recife, e entrega o poder às mulheres

A atriz e modelo brasileira Domitila Barros tem uma história marcada por ajuda a quem precisa e pela determinação de fazer mais por si mesma. Nascida e criada em uma comunidade da zona norte de Recife, a Linha do Tiro, ela já sabia que queria fazer a diferença desde cedo. Aos 13 anos, lia para as crianças assistidas pelo Centro de Atendimento a Meninos e Meninas (CAMM), projeto liderado por sua mãe, Roberta Barros, que existe há 35 anos.

Com 21 anos, ela agarrou a oportunidade de estudar fora do país ao conseguir uma bolsa de acadêmica para cursar mestrado na área social na Alemanha. A sua intenção era retornar ao Brasil, mas ao ser descoberta por um produtor, começou a trabalhar como modelo e atriz. No entanto, ela nunca esqueceu de suas origens. Sendo assim, usou sua visibilidade em redes sociais e criou a grife She is From the Jungle, de biquínis e joias sustentáveis confeccionadas por mulheres do local em que passou sua infância e adolescência.

Confira alguns trechos da conversa que o Além da Beleza teve com ela sobre sororidade, empoderamento feminino e oportunidades.

Além da BelezaDe onde veio a ideia de criar uma marca de biquínis e joias sustentáveis produzidas pelas mulheres da comunidade da Linha do Tiro?

Domitila Barros – Resolvi juntar tudo o que que eu gosto, como a minha realidade social no Brasil, ajudar as pessoas e moda. Começamos com dez peças de biquíni e conseguimos vender em um dia pelas redes sociais. A partir daí, fomos desempenhando os outros aspectos. Adicionamos a questão das biojoias veganas porque o verão europeu é muito curto e percebi que só a questão da moda praia nos limita muito.

AB – Quantas mulheres trabalham produzindo as peças?

DB – Hoje em dia, são doze mulheres. Elas trabalham onde, quando e como querem. Eu dou todo o material para poder fazer o produto. Elas é quem dizem o tempo que precisam e quanto irá custar para fazer um biquíni. Algumas costuram, outras fazem crochê ou macramê. Jovens que estão cursando enfermagem, por exemplo, financiam o curso inteiro com a produção de biojoias ou de peças de biquíni.

AB – Qual é o sentimento de desfilar as peças na Semana de Moda de Berlim?

DB – É de gratidão e de ter o trabalho reconhecido. Faz um ano e meio que a marca existe. Seria muito mais barato produzir na China, mas tem a questão do amor envolvido por trás e ver que nossa união está sendo reconhecida na terceira maior semana de moda europeia não tem preço. O nosso sonho seria, também, trabalhar em lojas multimarcas no Brasil para vender os nossos produtos.

AB – O que mais as mulheres podem fazer por elas mesmas?

DB – Se você tem um sonho ou ideia, por mais distante que esteja, eu acredito que você precisa investir. É muito importante para fazer o sonho se realizar, principalmente enquanto mulher que, às vezes, precisa se impor um pouco mais do que o homem.

Primeiramente, você tem que fazer uma coisa que você goste porque vai demorar até o sucesso acontecer. Eu ainda tenho que trabalhar como modelo e atriz, por hora, para investir na marca. Mas eu sei que vai dar certo. Você tem que estar disposta a trabalhar porque é muito trabalho quando se é empreendedor.

AB – Em sua opinião, qual é o impacto de uma oportunidade?

DB – Uma oportunidade pode mudar a vida das pessoas. Eu me criei com crianças em situação de risco. Eu percebi que também queria ajudar, fazer alguma coisa. Quando você vive numa comunidade, você tem a chance de ajudar e tem muitas pessoas precisando. É quase impossível fechar os olhos.

AB – No momento em que vivemos, a sororidade está cada vez mais em evidência. Como você avalia empreendimentos administrados por mulheres que empregam outras mulheres?

DB – Primeiro, vem a questão da integração financeira. Em seguida, a autoestima e elas verem que as pessoas estão vestindo os produtos delas. Aumenta, até mesmo, o tino empreendedor porque nenhuma delas tem exclusividade comigo. Eu até incentivo elas a trabalhar para outras pessoas ou para elas mesmas, produzindo peças que elas queiram e gostem para vender em outros tipos de mercado. Isso muda a vida delas e da comunidade em que estão inseridas.

Inspire-se na história da Domitila, corra atrás de seus sonhos, batalhe para colocá-los em prática e faça mais por você mesma.